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Literatura 2 de junho de 2021
André Cordeiro, poeta pernambucano, destaca trabalho nacional
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A safra de novos talentos nas artes da cultura brasileira vem enriquecendo o elenco de novos poetas. Exemplo disto, está no trabalho de literatura do poeta recifense, e artista visual, André Cordeiro, 21, estudante da História na Universidade Católica de Pernambuco. Com diversos trabalhos publicados, André Cordeiro apresenta um mix de produtos que vai desde bottons com hai kai, camisetas, quadros, posters, panfletos, e livros. Participou também de coletivas entre importantes nomes como Arnaldo Antunes, Augusto de Campos, Caetano Veloso e outros, e teve recentemente seu trabalho incluído em exposição coletiva de tecnologia de projeção nos prédios da cidade de Belém, capital do Pará. Além disso, foi colaborador artístico do Estúdio Coragem, em Porto Alegre; Participou da Antologia Virtual Poesia Concreta de Tuas Esquinas, promovida pela Balada Literária, em homenagem aos 90 anos de Augusto de Campos; e integrou o grupo Cen@off de teatro.

André Cordeiro costuma usar muito os canais de internet, principalmente as redes sociais, para divulgar seus trabalhos, postar vídeos recitando, encenando, e outras ações como vender produtos com seus poemas.

Contato : (81) 8408-1484

andre_cordei.ro

https://www.facebook.com/andre.cordeiro.1029

Confira abaixo o seu mais recente poema, De Dor em Dor, postado nesta quarta-feira 03 de junho.

DE DOR EM DOR

(André Cordeiro)

É tão doloroso ser poeta

dói tudo, a todo instante

a letra, o pensamento, a palavra

a sílaba, a vogal, a consoante

o artigo, o afago, o afeto

dói a metáfora sendo metáfora

dói o verso

a vírgula, a língua, o verbo

dói o verbo.

conjugado ou não, inflamado sim

dói a pálpebra, dói o olho

os dois

arde o peito, queima a pele

cai cabelo, incha a perna

cai a unha, tosse seca

dói a sexta

o sábado

o domingo o poeta resiste mesmo que a dor assuste

ele pensa, ela nem existe.

a segunda dói pra caralho.

dói muito sentir a falta

sentir verdade

pensar no outro

deixar de lado

matar saudade

lavar o rosto

acordar cedo

tirar encosto.

dói saber dizer

pensar em cada

coisa feia

de forma bonita

arrancar palavras

de forma indiscreta

dói fazer a métrica

e destruí-la.

Já disseram tanto

e eu ainda tento

tudo que escrevo

eu canto

e ainda conto

mas ser poeta dói

não dá mais

e pranto.