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Luz Negra – O Negro em Estado de Representação

18 de março de 2021
Foto: Div

Em meio a pandemia, o Festival Luz Negra, que evidencia o protagonismo negro nas diversas atuações artísticas e tudo que envolve o universo do Teatro, Ópera, Dança, e suas diversas manifestações culturais, volta à cena online a partir desta quinta-feira (18.03).

Amparado, este ano, sob a Lei Aldir Blanc, o projeto existe desde o ano de 2017 e foi criado pelo grupo ‘O Poste - Soluções Luminosas’, que traz em sua essência o reconhecimento da negritude.

O objetivo do festival vem se consolidando ainda mais na perspectiva da representatividade negra de forma permanente no estado de Pernambuco. O festival se faz urgente nesses dias difíceis em que a pandemia desestabiliza de forma severa a classe artística, e se agrava ainda mais quando se fala de artistas pretos, justamente pela invisibilidade social de que são vítimas.

A ação potencializa a construção de identidades e territórios dinâmicos, ambivalentes e de negociação. O que se deseja com o projeto Luz Negra - `O Negro em Estado de Representação´ é o rompimento de paradigmas de preconceito através da própria representação negra em situações artísticas/cênicas, diversas, onde o público terá atrações do sertão, agreste, zona da mata, e da periferia e região metropolitana do Recife, além de 02 espetáculos de fora do estado.

A filosofia trazida por muitas tradições africanas suscita a noção do “eu” que equivale ao “nós”, onde o eu individualizado não existe. O nome do projeto “Luz Negra – O Negro em Estado de Representação”, está dentro de um contexto histórico muito além de um simples título de projeto. Nele está inserido o NÓS, desde a questão espiritual ancestral, a luz dos nossos orixás, suas energias, nossos guias, o estado, a cultura, o meio social e o político.

Ao mesmo tempo em que a ação traz o grito dos excluídos, promove também a ocupação por direito e por reparação histórica dos espaços do Estado, que desde o início de sua construção vem se mostrando excludente e de poder colonialista. Pernambuco é o Estado que historicamente mais trouxe negros escravizados da África e não reparou o mal que fez a um povo que até hoje sofre as consequências da severa escravidão. Muitas das suas riquezas e dos seus senhores, foi herdada da exploração desumana do negro africano e seus descendentes.

O patrocínio a esse festival é uma forma de reparação. Do lado artístico a ação traz possibilidades de trocas culturais e artísticas, que criam e fortalecem locais de pertencimento do povo negro, além de gerar renda para profissionais como artistas, produtores, curadores, entre outros. É preciso aquilombar! O festival ocorre de 23 de fevereiro a 07 de março de 2021. Sua programação será online e sua exibição através da plataforma virtual no You Tube do grupo O Poste, com exibições de espetáculos gravados e ao vivo, além de uma palestra e uma oficina de teatro. Toda a programação vem potencializar o negro nas artes. Contaremos com as seguintes atrações: 08 (oito) espetáculos teatrais pernambucanos (sendo 06 adultos e 02 infantis), 02 espetáculos teatrais de outros estados do nosso território nacional; 04 espetáculos de dança do estado de PE (sendo um espetáculo com duas mulheres trans do Coletivo de Dança -Teatro Agridoce, falando sobre as vivências de ser uma mulher trans em um país Transfóbico, e um com jovens da comunidade de Peixinhos, com espetáculo sobre danças periféricas, 01(um) solo de Ópera, 01 (uma) palestra sobre a História do Negro em Pernambuco e 01 (uma) oficina teatral. Todas as atrações serão gratuitas garantindo a democratização do acesso à cultura, e a participação de todos os públicos.

O festival conta ainda com uma equipe de acessibilidade comunicacional. Duas atrações serão oferecidas em libras e uma em áudio descrição. O Projeto tem o patrocínio da Lei Aldir Blanc, através do edital de festivais do governo do Estado de Pernambuco. O homenageado da IV edição do festival será Guitinho da Xambá, um grande parceiro do grupo O Poste que faleceu em fevereiro deste ano. O festival é realizado graças a uma equipe eficiente e composta 80% por pessoas negras.

Equipe do Festival:

Produção Geral e Executiva - Agrinez Melo; Naná Sodré; Samuel Santos (Grupo O Poste Soluções Luminosas)

Consultora de Curadoria - Lorenna Rocha

Editor de Vídeo e Fotografia  – Videomaker  Talles Ribeiro

 Assessoria de Imprensa - Cleyton Cabral

Programação Visual - Vicente Simas

Social Média - Lume C.C

Coordenação em Acessibilidade Comunicacional - Vouser Acessibilidade