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Alceu Valença e Paulo Rafael para escutar milhões de vezes

08 de abril de 2022

por Gil Sabino

Quando em 1980 eu fui morar em Recife, uma capital considerada metrópole, passei a ficar mais próximo da cena artística regional e nacional. Fui representar a gravadora EMI Odeon para o trabalho de lançamento de discos, promoção de artistas em rádio, jornais, televisão. Me lembro muito bem, alí em Boa Viagem, um barzinho que ficava próximo do hotel onde morei. Foi lá que pela primeira vez encontrei com Paulo Rafael. Eu estava tomando uma cervejinha com a moçada e de repente lá chega ele, cabeludo, sorridente, e atendendo a pedidos, senta no chão e pega o violão e toca um clássico tipo, Bolero de Ravel. Nunca mais esqueceria aquela cena...

Anos depois nos aproximamos ainda mais, para um trabalho da cantora pernambucana Nádia Maia, produzido no estúdio Estação do Som, do tecladista Tovinho, com quem Paulinho tocava na banda de Alceu Valença.

Alceu Valença, Paulo Rafael e Tovinho, formaram assim, durante o tempo, um trio perfeito no trabalho da música pernambucana para o mundo. Não se concebia até então, Alceu sem Paulo Rafael, nem Tovinho. Podiam mudar o baterista, o percussionista, o baixista, menos Paulinho e Tovinho. E assim segue a história...

Tivemos oportunidade de assisti-los nos palcos da vida, desde o simples Teatro Santa Roza, de João Pessoa, Forrock de Campina Grande, Rock in Rio, nos bastidores e vários shows no Marco Zero nos Carnavais do Recife, e também no Baile Municipal, Caruaru, Ibirapuera em SP, Muriçocas do Miramar... Nos encontrávamos nas ladeiras de Olinda, nas ruas do centro da Capital, em todo lugar, e também no estúdio de Tovinho, onde rolavam conversas animadas, criativas, inteligentes.  

Juninho, um dos meus filhos pernambucanos, e também membro do Fã Clube oficial de Alceu Valença, nos convidou esta semana para ouvir o novo lançamento do mestre. Imaginei que fosse mais uma dessas coletâneas de sucessos. E qual não foi a surpresa. Era sim, a melhor coletânea de sucessos de Alceu, desta vez com um tratamento lírico, especial, um álbum acústico com 11 faixas, o melhor da obra do filho de São Bento do Una. Um trabalho acústico eternizando os dois amigos de 46 anos de estrada, palcos, amizade, unidos pela poesia, pela belíssima música, a obra de Alceu Valença amparada, acolhida pela guitarra de Paulo Rafael. Os grandes sucessos como Anunciação, Cavalo de Pau, Na Primeira Manhã, e muito outros gravados apenas com voz, violão e guitarra.

Sinceramente, o poema de Carlos Pena Filho, poema de éter, poema de pássaro, as imagens das ladeiras de Olinda, o Carnaval, a capa com ilustração de J.Borges, as lembranças todas acima mencionadas, tudo junto nos levou às lágrimas. Um disco lindo, belíssimo, no qual a poesia que uniu Alceu Valença e Paulo Rafael, registram agora para a eterna transcendência. Um albúm histórico digno de ser ouvido repetidamente milhões de vezes. É o que tenho feito.. Obrigado Alceu Valença, muito obrigado Paulo Rafael. A música que une, avança, evolui e amplia nossas almas para sempre...

O álbum é um lançamento da @deckdisc como uma homenagem a Paulo Rafael e está em todas as plataformas musicais.

https://youtu.be/UpHgZD3WBvA?list=OLAK5uy_kEuK7r87K3bP7ECzfXaFVJkVkofHXBR2Y