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Gil Sabino
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TENDÊNCIAS DO SÃO JOÃO

25 de junho de 2017



O evento das festas juninas trouxe esse ano, mesmo sob a força da crise econômica que cala o país, impacto que parece ter sinalizado como sendo apelo à grande tendência de mercado turístico na região nordeste. Diz, ao mesmo tempo, que um povo sofrido, com desgaste político e opressão governamental, tende esquecer a crise e cair na farra como que uma válvula de escape do momento difícil de suas vidas.

O fato é que assistimos a um dos mais festejados São João do Brasil. A nossa festa junina ganhou forma profissional, com eventos cada vez mais concorridos, maiores e melhores e economicamente fortes.

Houve como que uma renovação na prática musical a partir da inclusão de novas bandas do chamado forró de plástico, e também a inserção do elenco dos padres católicos, e os sertanejos do sudeste. Estes últimos, causando polêmicas com os tradicionais artistas de forró da região. Ainda assim, o tradicional forró pé-de-serra perseverou tendo seu espaço garantido nas festas do que chamamos cidades satélites, ou seja, aqueles municípios próximos dos grandes centros como Caruaru-PE, e Campina Grande-PB, que há mais de trinca anos seguidos mantém a tradição de realizar um mês inteiro de festa.

Na noite do dia 24 de junho, de São João, a TV Globo apresentou ao vivo transmitindo direto de Paulo Afonso-BA, Caruaru-PE, Campina Grande-PB, Mossoró-RN, e Fortaleza-CE. A cobertura patrocinada mostrou shows com os artistas Jefferson Moraes, Michel Teló, Fagner desfilando seus sucessos, Petrúcio Amorim, Lucy Alves, e o fenômeno Marília Mendonça, esta puxando uma multidão de mais de 50 mil pessoas no Parque do Povo em Campina Grande. Lá estavam também as grandes marcas como Skol, Caixa, Sky e outras, sempre investindo em grandes eventos e fazendo marketing de relacionamento com o grande público.

O que chama atenção é a imperdoável indiferença que João Pessoa, a Capital, insiste em manter em relação aos grandes centros do forró, e até mesmo às cidades satélites como Bananeiras, Patos, e outras, ofertando um vácuo na promoção do São João, forçando de maneira, o turista interno ter que se transportar para outras cidades. A demanda existe, tanto é que assistimos calados ao engarrafamento causado por nosso público quando sai nas BRs com destino ao interior.

Não é admissível, diante da grande tendência de mercado turístico e cultural à nossa disposição, deixar de lado, negar a necessidade em construir, criar condições, debater, estimular a produção e o comércio, estruturar e planejar, convidar grandes marcas para empreender num grande evento junino para a Capital. Seria no mínimo interessante agregar valores culturais, e inserir João Pessoas no grande calendário de São João. Só teríamos a ganhar. Não há como furtar-se da responsabilidade desta promoção. João Pessoa não pode ficar de fora de realizar um grande Carnaval e um grande São João. Fica dado o recado.

VIVA SÃO JOÃO!

Gil Sabino é jornalista e gestor de marketing - g.sabino@uol.com.br



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